Reflexiones
Pedagógicas
"O que é o que é" Gonzaguinha
Esta sección está destinada a que los docentes de Brasil Club vuelquen sus aportes teóricos y experiencias sobre el proceso de enseñanza de la lengua portuguesa para extranjeros. Invitamos a nuestros lectores a enviar sus artículos sobre el tema, los que con gusto difundiremos.

"O USO DE MATERIAIS AUDIOVISUAIS
COMO FACILITADORES DA APRENDIZAGEM
DE LÍNGUA ESTRANGEIRA"
Lic. Beatriz Olmos da Rocha
Assessora pedagógica Brasil Club S.R.L.

Montevidéu, Abril 2007

INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho é tecer alguns comentários sobre como as imagens, o som e o vídeo/DVD, de forma especial, como apoio audiovisual e com o emprego de técnicas e estratégias adequadas, podem ser um ótimo recurso para apresentar atividades que motivem tanto ao aluno quanto ao professor. Apresentamos vantagens e desvantagens destas ferramentas didáticas para o ensino de línguas estrangeiras, especificamente o português, lembrando que elas permitem trabalhar não só as clássicas quatro habilidades (leitora, auditiva, escrita e oral), como também são instrumento de estudo e valorização da cultura dos países lusófonos.
O grande referencial teórico deste trabalho é a monografia do professor José Manuel Morán, Diretor Académico da Faculdade Sumaré-SP, O vídeo na sala de aula.





 

 

1 - O QUE DEVE SER EVITADO

Como qualquer recurso e estratégia, para que o uso do vídeo/DVD seja efetivo, temos que inseri-lo num contexto de planificação de qualidade. O professor Morán nos alerta para algumas práticas não adequadas de uso do vídeo na sala de aula.
Vídeo-tapa buraco: colocar vídeo quando há um problema inesperado, como auséncia do professor. Usar este expediente eventualmente pode ser útil, mas se for feito com freqüência, desvaloriza o uso do vídeo e o associa - na cabeça do aluno - a não ter aula.
Vídeo-enrolação:exibir uim vídeo sem muita ligação com a matéria. O aluno percebe que o vídeo é usado como forma de camuflar a aula. Pode concordar na hora, mas discorda do seu mau uso. (Morán, 1995)
Nestas duas situações, o que se vé é a falta de compromisso do professor para com a sua turma, falta planificação e cuidado com o recurso pedagógico. A resposta dos alunos que se pode esperar nestes casos é o desinteresse pelo que estão assistindo.
Outra situação apresentada pelo professor Morán.
Vídeo-deslumbramento:O professor que acaba de descobrir o uso do vídeo costuma empolgar-se e passa vídeo em todas as aulas, esquecendo outras dinámicas mais pertinentes. O uso exagerado do vídeo diminui a sua eficácia e empobrece as aulas. (Morán, 1995)
Usar o vídeo em todas as aulas, ou em sua maioria, também pode levar ao desinteresse, uma vez que o recurso perde seu efeito de novidade e surpresa.
Novamente detectamos a falta de uma planificação adequada da aula. Planificação supõe diversidade de recursos e criteriosa seleção de materiais.
Outras situações apresentadas pelo professor Morán.
Vídeo-perfeição: Existem professores que questionam todos os vídeos possíveis porque possuem defeitos de informação ou estéticos. Os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los,junto com os alunos, e questioná-los. (Morán, 1995)
Um professor que assim atue está desconsiderando a diversidade que o recurso pressupõe. Para as aulas de língua portuguesa a falantes do espanhol podemos trabalhar com materiais auténticos que não tenham sido produzidos como esse fim pedagógico. O que importa é estar aberto á possibilidade e não descartar materiais por possíveis imperfeições, pois eles, sim, podem ser uma poderosa arma para cativar os alunos. Não entendamos aqui que defendemos o uso indiscriminado de materiais, salvamos aqueles que tém condição de ser compreendidos pelos alunos em som e imagem.
Por último, o professor Morán nos lembra de que “não é satisfatório exibir o vídeo sem discuti-lo, sem integrá-lo com o assunto da aula, sem voltar e mostrar alguns momentos mais importantes”. Reflexão muito oportuna para aqueles que usam o recurso indiscriminadamente (como os que já mencionamos nas duas primeiras situações). Além de revelar o grau de planificação da aula, temos que ter presente que um dos objetivos de exibir um vídeo/DVD é motivar a reflexão, por isso é importante que no desenvolvimento da atividade haja elementos que permitam estabelecer relações culturais com o material trabalhado.
Cabe, pois, ao professor encontrar estratégias adequadas para o uso positivo do vídeo/DVD em sala de aula. Para isso, no entanto, é necessário que o próprio professor veja neste recurso um instrumento importante e enriquecedor.

2 - OS VÁRIOS USOS DO VÍDEO / DVD NAS AULAS DE PLE

O professor Morán fala do vídeo como uma estratégia de sensibilização. Não há dúvidas de que ele é um elemento a ser levado em consideração quando vamos introduzir uma nova temática, principalmente se abordamos questões culturais, geográficas ou históricas. Em casos muito específicos talvez possamos utilizá-lo para uma sensibilização gramatical, mas só seria válido – segundo a abordagem com a qual trabalhamos – se esses objetivos gramaticais tém relação com aspectos comunicativos com os quais extrapolar o vídeo.
Citando um caso específico de uso: assistir alguns anúncios de propaganda pré-selecionados pelo professor que veja neles o uso de verbos no Imperativo. Após as atividades específicas para a exibição, os alunos podem ser chamados a elaborar outras propagandas, ou a pôr fala em propagandas exibidas sem som. É a este tipo de exemplo que se refere o professor Morán quando fala do uso do vídeo como ilustração.
No exemplo apresentado, a exibição das imagens em movimento e com som seduzem mais do que as imagens estampadas em revistas ou jornais. E o que é mais atrativo, é mais lembrado.
Outra possibilidade de uso do vídeo/DVD que levanta o professor Morán é a de usá-lo como estratégia de simulação, em situações perigosas. O professor fala do exemplo de utilizar uma gravação em vídeo de uma experiéncia em laboratório que pudesse ser perigosa para os alunos caso estivessem realmente ali. Para quem acha que este exemplo não se aplica à língua estrangeira, vale lembrar que no imaginário do aluno, cada cena, se bem selecionada, poderá desempenhar um papel de simulação, uma vez que no imaginário do aluno, ao assistir uma cena este pode vivenciar a experiéncia como se realmente estivesse ali.
O uso mais difundido entre os professores de língua estrangeira, no entanto, ainda é a proposta da uso do vídeo como conteúdo de ensino. É o típico caso de selecionar o material de vídeo/DVD segundo os conteúdos que serão trabalhados em sala de aula.
De certa forma, este uso do vídeo/DVD abrange os anteriores: ele pode sensibilizar, ilustrar e simular o conteúdo a ser desenvolvido.

3 - ESTRATÉGIAS PARA A EXIBIÇÃO DE AUDIOVISUAL

Como todo e qualquer recurso pedagógico, a forma de apresentação aos alunos por parte do professor determinará em grande medida o éxito ou o fracasso da atividade.
Durante a planificação da aula, na qual se exibirá um vídeo/DVD, é importante pensar na forma de introdução. Esta introdução cumpre com diversos objetivos
- Informar somente aspectos gerais do vídeo (autor, duração, prémios...). Não interpretar antes da exibição, não pré-julgar (para que cada um possa fazer a sua leitura).
- Checar o vídeo antes.Conhecé-lo. Ver a qualidade da cópia.
- Deixá-lo no ponto antes da exibição.Zerar a numeração (apertar a tecla resset). Apertar também a tecla "memory" para voltar ao ponto desejado.
- Checar o som (volume), o canal de exibição (3 ou 4), o tracking (a regulagem de gravação), o sistema (NTSC ou PAL-M). (Morán, 1995)
Embora possa parecer desnecessário mencionar estes cuidados, muitas aulas são prejudicadas ao deixar de observar as medidas aqui arroladas.
Dar as explicações iniciais ao aluno sobre aquilo que vai assistir para ambientá-lo nas situações, prepará-lo para a exibição. Dizer o tipo de material, por exemplo, ou a região á qual pertence, dar alguma referéncia de tempo (época, ano, duração, etc). É importante manter-se imparcial antes da exibição para não induzir a interpretação do aluno e não prejudicar a sua curiosidade adiantando conteúdo e argumentos (por isso há de se ter cuidado na sensibilização). E, claro, observar os detalhes técnicos, que não são detalhes uma vez que podem determinar o fracasso da atividade deixando o professor sem ter o que fazer ou perdendo um tempo precioso da aula.
No que se refere às atividades específicas, é importante que os alunos saibam de antemão as categorias que terão de retirar da exibição. Dessa forma não incorrerão em distração e poderão valorizar o momento como uma atividade que tem objetivos claros para a sua aprendizagem. Vale, por exemplo, solicitar que façam anotações sobre aspectos relevantes de acordo com as atividades posteriores (vocabulário e expressões diferentes das habituais, estruturas, objetos, paisagens, etc).
Durante a exibição, o professor deverá estar atento para a reação da turma, perceber os momentos de maior dificuldade ou interesse, assim como o momento em que o interesse começa a decair e os alunos começam a dispersar-se. Estas situações nos falam da adequação da nossa escolha, de como reorganizar o tempo da exibição, e se é necessário fazer pausas para comentários além das que já estavam previstas, ou, pelo contrário, não fazer a pausa prevista ao observar um crescente interesse que não deve ser cortado.
Após toda a exibição e atividades posteriores, ainda é interessante exibir novamente momentos que mereçam destaque, ou porque tém aspectos que não foram observados pelos alunos, ou para mostrar aspectos que não foram trabalhados nas atividades específicas.

4 - ATIVIDADES A SER TRABALHADAS

Há um grande número de atividades que podem ser realizadas com imagens em movimento. Podemos trabalhar atividades de expressão oral e escrita. Explorar as imagens sem som, paisagens, objetos, expressões dos personagens, e tudo o que a criatividade do professor possa elaborar para tirar desse recurso o melhor para seus estudantes.
O importante nessas atividades é ter em consideração aspectos que possam favorecer a motivação e a expressão dos alunos, elaborar propostas claras que não déem margens a duplas interpretações, para não criar confusão nos alunos. Também é importante dosar o tempo levando em consideração a quantidades de vezes que será necessário fazer pausas durante a exibição ou, ainda, se será preciso retroceder cenas para exibi-las novamente.
Do grande leque de possibilidades que o uso de imagens em movimento apresenta como atividades pedagógicas, selecionamos algumas:
4.1 Atividades preparatórias ou de sensibilização ao conteúdo
Fazer a exibição de um breve trecho sem som. Com esta estratégia o que se pretende é que os alunos façam inferéncias sobre aquilo que assistirão baseando-se na observação detalhada da situação, gestos, lugar, etc.
Outra estratégia é a de colocar apenas o áudio, em fita, CD, ou solicitando aos alunos que fiquem de costas para a televisão. Novamente o objetivo é a hipótese sobre o que verão, desta vez, no entanto, a percepção auditiva é exigida ao máximo. Podemos fazer perguntas não apenas sobre o assunto a ser tratado, mas também referéncias ao lugar onde se desenvolve a ação.
4.2 Atividades durante a exibição
Estas atividades concentram-se, geralmente, em fazer anotações daquilo que se vé e ouve. É importante ter bem claro o tipo de informação que se deseja destacar, pois temos que evitar que o aluno, no afã de conseguir cumprir com o que lhe foi solicitado, termine por perder a maior riqueza do material.
Atividades que solicitem escrever comentários, responder perguntas ou preencher lacunas devem levar em consideração o tempo das pausas, pois enquanto o aluno escreve uma resposta, perde várias informações e deixa de ver as imagens.
4.3 Atividades após a exibição
Este é o momento de retomar aquilo que foi exibido. Pode-se solicitar respostas de um questionário, que escreva um parágrafo sobre algum ponto específico, estabelecer um debate de opiniões e pontos de vista, etc.
Estas atividades podem levar à extrapolação do material quando o aluno posiciona-se a respeito do que viu dando a sua opinião. É o momento de valorizar os aspectos culturais e outros aspectos não exigidos durante a exibição do vídeo/DVD que possam vir a contribuir para a expressão e o enriquecimento cultural do estudante.

PALAVRAS FINAIS

No corre-corre da vida moderna, imagem e movimento fazem parte do cotidiano de todas as pessoas. O ensino de língua estrangeira está, há muito, consciente da necessidade de fazer aulas dinámicas, pois diversos estudos apontam esse dinamismo como benéfico para a aprendizagem de língua estrangeira.
As músicas, os jogos, os vídeos/DVDs, são uma realidade e, geralmente, muito bem aceita pelos estudantes. Mas, como em qualquer matéria, há necessidade de planificação.
O trabalho apresentado pretende ser um elemento de reflexão sobre a nossa prática docente. Não é a palavra final, pretende ser mais um elemento de debate e estudo.


REFERÉNCIA BIBLIOGRÁFICA

MORÁN, José Manuel, "O vídeo em sala de aula".
Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/vidsal.htm
Acessado por última vez em 17 de março de 2009.


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