"O que é o que é" Gonzaguinha

Esta sección está destinada a que las docentes de Brasil Club vuelquen sus aportes teóricos y experiencias sobre el proceso de enseñanza de la lengua portuguesa para extranjeros. Invitamos a nuestros lectores a enviar sus artículos sobre el tema, los que con gusto difundiremos.


"PLANEJAMENTO DA AÇÃO DOCENTE"
Lic. Beatriz Olmos da Rocha – Brasil Club S.R.L
Montevidéu, Agosto 2007

Para começar
O ato de planejar é característico do ser humano. No cotidiano, sempre enfrentamos situações que necessitam de planejamento. Usamos processos racionais para alcançar aquilo que desejamos. No planejar, é fundamental saber o que queremos. É preciso saber claramente onde queremos chegar.


 
A fábula a seguir é ilustrativa:
Era uma vez um cavalo-marinho que juntou suas economias (7 moedas), e saiu em busca da fortuna. Ainda não havia andado muito quando encontrou uma enguia, que lhe disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho orgulhosamente.
- Você está com sorte! - disse a enguia. - Por quatro moedas pode adquirir essas velozes nadadeiras, e assim será capaz de chegar lá mais rápido!
- Oba, isto é ótimo! - disse o cavalo-marinho, e pagou o dinheiro, colocou as nadadeiras e saiu deslizando, numa velocidade duas vezes maior. Em seguida encontrou uma esponja, que lhe disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho.
- Você está com sorte! - disse a esponja. - Por uma pequena recompensa deixarei você ficar com esta tábua de propulsão a jato, para que possa viajar mais rápido.
Então o cavalo-marinho comprou a tábua com o restante de suas moedas, e foi zunindo pelo mar, com uma velocidade cinco vezes maior.
Logo, logo, encontrou um tubarão, que disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho.
- Você está com sorte. Se tomar este atalho - e o tubarão apontou para sua bocarra - vai economizar muito tempo.
- Oba, obrigado - disse o cavalo-marinho, e saiu zunindo para dentro do tubarão, e nunca mais se ouviu falar nada dele.

(Mager, Robert. A Formulação de Objetivos de Ensino. Prefácio. Porto Alegre, Globo, 1983).
 
 
Não se vai longe desconhecendo o destino da jornada. Planejar é um processo que visa dar respostas a um problema ou desafio (obter o queremos, objetivos), estabelecendo os meios (estratégias, recursos) que apontem para sua superação.
Estabelecer os fins implica sempre em uma escolha.
Sem perder de vista essas perspectivas mais amplas, no ensino de uma língua estrangeira, os fins são mais específicos e situados. Os objetivos são definidos em termos das habilidades e competências que se quer alcançar ao longo do curso e as questões culturais que permeiam a aprendizagem do português.
O Conceito de Competência
Os profissionais de diversas áreas, não só os de língua estrangeira, trabalham com o conceito de competência. Mas o que é uma competência?
 
 
"O conceito de competência vem recebendo diferentes significados, às vezes contraditórios e nem sempre suficientemente claros para orientar a prática pedagógica das escolas. Para os efeitos desse Parecer, entende-se por competência profissional a capacidade de articular, mobilizar e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho.
O conhecimento é entendido como o que muitos denominam simplesmente saber. A habilidade refere-se ao saber fazer relacionado com a prática do trabalho, transcendendo a mera ação motora. O valor se expressa no saber ser, na atitude relacionada com o julgamento da pertinência da ação, com a qualidade do trabalho, a ética do comportamento, a convivência participativa e solidária e outros atributos humanos, tais como a iniciativa e a criatividade.
Pode-se dizer, portanto, que alguém tem competência profissional quando constitui, articula e mobiliza valores, conhecimentos e habilidades para a resolução de problemas não só rotineiros, mas também inusitados em seu campo de atuação profissional. Assim, age eficazmente diante do inesperado e do inhabitual, superando a experiência acumulada transformada em hábito e liberando o profissional para a criatividade e a atuação transformadora."
(Cordão, Francisco A. (relator), Parecer CNE/CEB 16/99, Conselho Nacional da Educação,
Câmara do Ensino Básico. Brasília, 5 de outubro de 1999).

"A competência não é conhecimento (...). A competência implica conhecimento. E, muito mais que isso, ela é o conhecimento que se mobiliza,que está disponível. Ela não é um conhecimento que está guardado e que não serve para nada; ela é um conhecimento disponível para tomar uma decisão, para intervir, para realizar alguma coisa: a famosa relação entre a teoria e prática.
Talvez o conceito de competência fique mais claro usando exemplos. Imaginem que vocês vão fazer uma operação de ponte de safena com um determinado cirurgião. Uma outra situação: imaginem uma viagem de avião. Qual é a primeira coisa que preocupa uma pessoa quando ela vai decidir qual é o médico que vai abrir seu coração? Ou como é o piloto que vai dirigir o avião que ela está voando? Será que esse médico sabe realmente abrir, mexer?
E o piloto, sabe realmente colocar esse gigante no chão sem grandes turbulências? Essa é a primeira coisa. Segunda coisa, será que se acontecer algo imprevisto ele sabe como fazer? Se o trem de pouso não baixar, ou se der uma taquicardia qualquer no paciente, se der uma hemorragia, será que ele tem experiência suficiente? Aí nós temos o conceito de competência: não só saber, mas saber na incerteza."
(Idem)
 
 
Construindo Competências
·Para desenvolver competências é preciso, antes de tudo, trabalhar por resolução de problemas e por projetos, propor tarefas complexas e desafios que incitem os alunos a mobilizar seus conhecimentos, habilidades e valores.
·O aluno que acumula saberes, passa nos exames, mas não consegue – necessariamente – usar o que aprendeu em situações reais.
·A avaliação deve prever problemas complexos e resolução de tarefas contextualizadas.
Construindo competências na língua estrangeira
Na nossa prática docente cotidiana, a construção das competências dá-se de forma natural. As diversas estratégias de ensino e atividades lúdicas fazem com que o aluno se envolva no processo de aprendizagem. Poderíamos, isso sim, testar os limites de cada aluno por meio de desafios. O que seria isso? Pois, proporcionar materiais extra-apostila de acordo com o nível individual, propor pesquisas, incentivar apresentações orais para a turma, etc. Tirar esse aluno da postura do “ensine-me” e levá-lo a ser agente da construção do seu conhecimento.
Competências essenciais do Docente
·Organizar e dirigir situações de aprendizagem.
·Administrar a progressão da situação de aprendizagem.
·Administrar a heterogeneidade e a diversidade.
·Ampliar os espaços educativos para além da sala de aula.
·Trabalhar em equipe.
·Diversificar o uso de tecnologias para enriquecer a aprendizagem.
·Administrar a própria formação e o seu desenvolvimento pessoal e
profissional.
Desafios à atuação docente
·Orientar e mediar o ensino para a aprendizagem da língua.
·Responsabilizar-se pelo sucesso da aprendizagem dos alunos
(naquilo que realmente cabe ao docente).
·Assumir e saber lidar com a diversidade entre os alunos.
·Incentivar atividades de enriquecimento cultural.
·Desenvolver práticas investigativas.
·Utilizar novas metodologias, estratégias e materiais de apoio.
·Desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe.
Plano de trabalho dos docentes
·Definição de objetivos de ensino para obter resultados de aprendizagem.
·Definição inicial das situações de aprendizagem e da avaliação.
·Análise da coerência do plano de curso.
·Planejamento do ensino com base no cronograma.
·Priorização, complementação e detalhamento das competências previstas
no plano de curso.
·Previsão das situações de aprendizagem.
·Cronograma de ações educativas.
·Infra-estrutura e recursos necessários.
·Verificação constante da progressão individual dos alunos.
CRONOGRAMA
 
 
"O grande mago propôs primeiro a seguinte questão: Qual é, de todas as coisas do mundo, a mais longa e a mais curta, a mais veloz e a mais lerda, a mais divisível e a mais extensa, a mais negligenciada e a mais irreparavelmente lamentada, que devora tudo o que é pequeno e que anima tudo o que é grande?
Cabia a Itobad responder. Respondeu que um homem como ele não entendia de enigmas e que lhe bastava haver vencido os adversários com as armas. Responderam alguns que a chave do enigma era a fortuna; outros, a terra; outros, a luz. Zadig declarou que era o tempo.
Nada é mais longo - acrescentou ele - já que ele é a medida da eternidade; nada é mais curto, sendo que falta a todos os nossos projetos; nada é mais lento para quem espera; nada mais veloz para quem usufrui a vida; estende-se, em grandeza, até o infinito; em pequenez, divide-se lhe lamentam a perda; nada se faz sem ele; faz esquecer tudo o que é indigno das gerações futuras, e imortaliza as grandes coisas.
A assembléia deu razão a Zadig."

(Voltaire, Zadig ou o Destino, in: Contos, São Paulo, Nova Cultural, 2002).
 

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ART. 06
"PLANEJAMENTO DA AÇÃO DOCENTE"
Lic. Beatriz Olmos da Rocha – Brasil Club S.R.L.
Montevideu, Agosto 2007

Para começar
O ato de planejar é característico do ser humano. No cotidiano, sempre enfrentamos situações que necessitam de planejamento. Usamos processos racionais para alcançar aquilo que desejamos. No planejar, é fundamental saber o que queremos. É preciso saber claramente onde queremos chegar.
A fábula a seguir é ilustrativa.

 
Era uma vez um cavalo-marinho que juntou suas economias (7 moedas), e saiu em busca da fortuna. Ainda não havia andado muito quando encontrou uma enguia, que lhe disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho orgulhosamente.
- Você está com sorte! - disse a enguia. - Por quatro moedas pode adquirir essas velozes nadadeiras, e assim será capaz de chegar lá mais rápido!
- Oba, isto é ótimo! - disse o cavalo-marinho, e pagou o dinheiro, colocou as nadadeiras e saiu deslizando, numa velocidade duas vezes maior. Em seguida encontrou uma esponja, que lhe disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho.
- Você está com sorte! - disse a esponja. - Por uma pequena recompensa deixarei você ficar com esta tábua de propulsão a jato, para que possa viajar mais rápido.
Então o cavalo-marinho comprou a tábua com o restante de suas moedas, e foi zunindo pelo mar, com uma velocidade cinco vezes maior.
Logo, logo, encontrou um tubarão, que disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho.
- Você está com sorte. Se tomar este atalho - e o tubarão apontou para sua bocarra - vai economizar muito tempo.
- Oba, obrigado - disse o cavalo-marinho, e saiu zunindo para dentro do tubarão, e nunca mais se ouviu falar nada dele.

(Mager, Robert. A Formulação de Objetivos de Ensino.Prefácio. Porto Alegre, Globo, 1983.
 
Não se vai longe desconhecendo o destino da jornada. Planejar é um processo que visa dar respostas a um problema ou desafio (obter o queremos, objetivos), estabelecendo os meios (estratégias, recursos) que apontem para sua superação.

Estabelecer os fins implica sempre em uma escolha.

Sem perder de vista essas perspectivas mais amplas, no ensino de uma língua estrangeira, os fins são mais específicos e situados. Os objetivos são definidos em termos das habilidades e competências que se quer alcançar ao longo do curso e as questões culturais que permeiam a aprendizagem do português.

O Conceito de Competência
Os profissionais de diversas áreas, não só os de língua estrangeira, trabalham com o conceito de competência. Mas o que é uma competência?


 
" O conceito de competência vem recebendo diferentes significados, às vezes contraditórios e nem sempre suficientemente claros para orientar a prática pedagógica das escolas. Para os efeitos desse Parecer, entende-se por competência profissional a capacidade de articular, mobilizar e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho.

O conhecimento é entendido como o que muitos denominam simplesmente saber. A habilidade refere-se ao saber fazer relacionado com a prática do trabalho, transcendendo a mera ação motora. O valor se expressa no saber ser, na atitude relacionada com o julgamento da pertinência da ação, com a qualidade do trabalho, a ética do comportamento, a convivência participativa e solidária e outros atributos humanos, tais como a iniciativa e a criatividade.

Pode-se dizer, portanto, que alguém tem competência profissional quando constitui, articula e mobiliza valores, conhecimentos e habilidades para a resolução de problemas não só rotineiros, mas também inusitados em seu campo de atuação profissional. Assim, age eficazmente diante do inesperado e do inhabitual, superando a experiência acumulada transformada em hábito e liberando o profissional para a criatividade e a atuação transformadora. "
(*)

* Cordão, Francisco A. (relator), Parecer CNE/CEB 16/99, Conselho Nacional da Educação, Câmara do Ensino Básico. Brasília, 5 de outubro de 1999.
"A competência não é conhecimento (...). A competência implica conhecimento. E, muito mais que isso, ela é o conhecimento que se mobiliza,que está disponível. Ela não é um conhecimento que está guardado e que não serve para nada; ela é um conhecimento disponível para tomar uma decisão, para intervir, para realizar alguma coisa: a famosa relação entre a teoria e prática.

Talvez o conceito de competência fique mais claro usando exemplos. Imaginem que vocês vão fazer uma operação de ponte de safena com um determinado cirurgião. Uma outra situação: imaginem uma viagem de avião. Qual é a primeira coisa que preocupa uma pessoa quando ela vai decidir qual é o médico que vai abrir seu coração? Ou como é o piloto que vai dirigir o avião que ela está voando? Será que esse médico sabe realmente abrir, mexer?

E o piloto, sabe realmente colocar esse gigante no chão sem grandes turbulências? Essa é a primeira coisa. Segunda coisa, será que se acontecer algo imprevisto ele sabe como fazer? Se o trem de pouso não baixar, ou se der uma taquicardia qualquer no paciente, se der uma hemorragia, será que ele tem experiência suficiente? Aí nós temos o conceito de competência: não só saber, mas saber na incerteza."
(**)
** (Idem)
 
Construindo Competências
· Para desenvolver competências é preciso, antes de tudo, trabalhar por resolução de problemas e por projetos, propor tarefas complexas e desafios que incitem os alunos a mobilizar seus conhecimentos, habilidades e valores.

·
O aluno que acumula saberes, passa nos exames, mas não consegue – necessariamente – usar o que aprendeu em situações reais.

·
A avaliação deve prever problemas complexos e resolução de tarefas contextualizadas.

Construindo competências na língua estrangeira
Na nossa prática docente cotidiana, a construção das competências dá-se de forma natural. As diversas estratégias de ensino e atividades lúdicas fazem com que o aluno se envolva no processo de aprendizagem. Poderíamos, isso sim, testar os limites de cada aluno por meio de desafios. O que seria isso? Pois, proporcionar materiais extra-apostila de acordo com o nível individual, propor pesquisas, incentivar apresentações orais para a turma, etc. Tirar esse aluno da postura do “ensine-me” e levá-lo a ser agente da construção do seu conhecimento.

Competências essenciais do Docente
· Organizar e dirigir situações de aprendizagem.
· Administrar a progressão da situação de aprendizagem.
· Administrar a heterogeneidade e a diversidade.
· Ampliar os espaços educativos para além da sala de aula.
· Trabalhar em equipe.
· Diversificar o uso de tecnologias para enriquecer a aprendizagem.
· Administrar a própria formação e o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Desafios à atuação docente
· Orientar e mediar o ensino para a aprendizagem da língua.
· Responsabilizar-se pelo sucesso da aprendiza- gem dos alunos (naquilo que realmente cabe ao docente).
· Assumir e saber lidar com a diversidade entre os alunos.
· Incentivar atividades de enriquecimento cultural.
· Desenvolver práticas investigativas.
· Utilizar novas metodologias, estratégias e materiais de apoio.
· Desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe.

Plano de trabalho dos docentes
· Definição de objetivos de ensino para obter resultados de aprendizagem.
· Definição inicial das situações de aprendizagem e da avaliação.
· Análise da coerência do plano de curso.
· Planejamento do ensino com base no cronograma.
· Priorização, complementação e detalhamento das competências previstas no plano de curso.
· Previsão das situações de aprendizagem.
· Cronograma de ações educativas.
· Infra-estrutura e recursos necessários.
· Verificação constante da progressão individual dos alunos.

CRONOGRAMA

 
"O grande mago propôs primeiro a seguinte questão: Qual é, de todas as coisas do mundo, a mais longa e a mais curta, a mais veloz e a mais lerda, a mais divisível e a mais extensa, a mais negligenciada e a mais irreparavelmente lamentada, que devora tudo o que é pequeno e que anima tudo o que é grande?

Cabia a Itobad responder. Respondeu que um homem como ele não entendia de enigmas e que lhe bastava haver vencido os adversários com as armas. Responderam alguns que a chave do enigma era a fortuna; outros, a terra; outros, a luz. Zadig declarou que era o tempo.

Nada é mais longo - acrescentou ele - já que ele é a medida da eternidade; nada é mais curto, sendo que falta a todos os nossos projetos; nada é mais lento para quem espera; nada mais veloz para quem usufrui a vida; estende-se, em grandeza, até o infinito; em pequenez, divide-se lhe lamentam a perda; nada se faz sem ele; faz esquecer tudo o que é indigno das gerações futuras, e imortaliza as grandes coisas.

A assembléia deu razão a Zadig."
(*)

* Voltaire, Zadig ou o Destino, in: Contos, São Paulo, Nova Cultural, 2002.
 



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