"O que é o que é" Gonzaguinha

Esta sección está destinada a que las docentes de Brasil Club vuelquen sus aportes teóricos y experiencias sobre el proceso de enseñanza de la lengua portuguesa para extranjeros. Invitamos a nuestros lectores a enviar sus artículos sobre el tema, los que con gusto difundiremos.


"REFLEXÕES SOBRE A TAREFA DOCENTE
DE LÍNGUA ESTRANGEIRA"
Lic. Beatriz Olmos da Rocha – Brasil Club S.R.L
Montevidéu, Outubro 2007

Apresentação
Este material vem no sentido de dar continuidade à ampla discussão sobre nossa prática docente que vem sendo desenvolvida no Brasil Club S.R.L., pois é discutindo que crescemos e nos aperfeiçoamos na nossa tarefa dentro e fora da sala de aula.
Aperfeiçoar-se na prática docente é um processo contínuo que deverá ser prazeroso para aqueles que vêem na docência sua vocação.


 
APRENDIZAGEM
"Aprendizagem é um processo interno que consiste em mudanças permanentes, que se integram ao comportamento do indivíduo, levando-o a agir diferentemente em situações novas posteriores". 1
Reflexões a partir desse conceito:
A aprendizagem é um processo que nos acompanha ao longo de nossa vida. Sistemática ou não, a aprendizagem se dá na rua, em casa, na escola; enfim, na vivência de cada um. A aprendizagem em sala de aula tem a característica de ser sistemática e orientada.
É um processo porque não se aprende no primeiro contato, individual e interno porque cada indivíduo cumpre suas etapas de assimilação em tempos diferentes aos dos outros. O aluno constrói o conhecimento a partir dos estímulos que recebe de fora.
Ao assimilar novos conhecimentos, comportamentos anteriores vão sendo substituídos por novas atitudes que refletem a evolução cognitiva daquele que aprende.
Aprendizado de língua estrangeira.
Objetivamente vemos que nosso hispanofalante, ao entrar em contato com o português, vai mudando seu comportamento tentando assimilar e utilizar as novas estruturas que vão sendo apresentadas.
O aluno aprende mediante sucessivas aproximações com a língua alvo, a partir dessas aproximações ele vai elaborando seu pensamento nos novos modelos. Podemos dizer que está havendo aprendizagem quando ele começa a manipular esses modelos e adequá-los a novas situações. Um aluno que se limita a responder com frases feitas ou a repetir aquilo que ouve não está aprendendo, pois nele não está havendo apropriação do conteúdo.
Como já definimos, a aprendizagem é um processo e dele faz parte uma etapa muito importante que é a interlíngua. Nessa etapa, o aluno constrói hipóteses para a língua alvo tomando como base sua língua materna, a interlíngua é uma tentativa de apropriação é, pois, racional e lógica e ao valorizar essas tentativas a docente valoriza todo o esforço que o aluno empregou para chegar a ela. Atenção, valorizar não pressupõe deixar de dar a estrutura correta.
No processo de aprendizagem, o aluno sai de sua língua materna, elabora uma interlíngua cada vez mais complexa até alcançar a apropriação da língua alvo.
ENSINO
Ensino e aprendizagem são dois processos diferentes que se complementam.
Ensinar supõe que a aprendizagem não se dará de forma casual ou pela prática exclusivamente.
Aquele que fica diante de uma turma monologando conteúdo está demonstrando todo seu conhecimento, mas não está ensinando.
"Ensinar é criar condições favoráveis para que haja aprendizagem”. 2
Esse conceito que parece tão simples engloba uma série de atitudes por parte de quem ensina a serem levadas em consideração.
A função do professor é organizar sistematicamente conteúdos, técnicas, abordagens, prática, além de propor atividades que funcionem como estímulos para os aprendizes. É problematizar e dar as ferramentas para que o aluno possa mover-se em diferentes situações da língua alvo.
"A condição de adulto também faz com que a aprendizagem desse tipo de aluno dependa do desenvolvimento de experiências próximas da realidade profissional. O adulto aprenderá mais facilmente se estiver envolvido em atividades dos seguintes tipos:
·dirigidas para suas expectativas
·centradas na ação (no fazer)
·dinâmicas e voltadas para a realidade do trabalho
·baseadas na cooperação e na autonomia (...)". 3

O ensino de uma língua estrangeira.
Por que o ensinar uma língua estrangeira é diferente a ensinar qualquer outra disciplina do nosso curriculum escolar?
Ter formação pedagógica em qualquer disciplina é importante no momento de dar aula de língua estrangeira, mas não é suficiente. Por quê?
Porque quando um professor está diante de uma turma para falar de matemática, de química ou história, por exemplo, pode estar abordando conceitos que o aluno desconhece, mas o está fazendo na mesma língua que esse aluno. Nessa situação, a dificuldade provém apenas dos novos conceitos, do objeto de estudo. Numa aula de língua estrangeira o meio de comunicação é o próprio objeto de estudo e aí reside a complexidade da didática específica para essa disciplina.
Quando um professor planifica a sua aula tem de levar em conta, além do conteúdo a ser abordado, a forma de transmiti-lo aos seus alunos. Muitas vezes a dificuldade durante uma atividade ou uma explicação não vem do conteúdo em si, mas sim da mensagem.
Em cursos como os que a nossa instituição promove, mais do que nunca a docente deve caracterizar-se por estas características:
·ser incentivadora e orientadora da aprendizagem;
·acompanhar as etapas de apropriação do conhecimento de cada
aluno (as turmas não são numerosas e o trato pode ser mais
próximo);
· promover atividades dinâmicas, de cooperação e que desenvolvam a
autonomia dos alunos em diferentes níveis de linguagem.
PLANIFICAÇÃO
Numa realidade onde encontramos o programa para nível pronto, onde o material didático traz teoria e exercícios além de contarmos com uma série de atividades extralivros indicadas na planificação de cada curso; muitas professoras podem sentir-se à vontade para dedicar um ínfimo tempo à planificação da sua aula.
Alguém diz que não precisa planificar a sua aula, pois a sabe de cor e a tem organizada na sua cabeça. Outras vezes ouvimos que a planificação cai por terra, pois sempre há situações novas na sala de aula que nos obrigam a replanificar tudo encima da hora.
Nada disso, contudo, tira o valor da planificação. A docente comprometida com o desempenho dos seus alunos planifica com base no conteúdo preestabelecido, mas também nos estímulos específicos de cada turma, suas dificuldades, expectativas, necessidades e preferências.
Planificando com antecedência ficamos mais livres e trabalhamos com mais segurança, pois sabemos qual caminho estamos percorrendo e aonde queremos chegar ao final do tempo da aula.
"Ao planejar as suas aulas, lembre-se:
·cada aula é o detalhamento de um plano maior, isto é, do plano geral da
disciplina, devendo manter coerência com as linhas gerais já traçadas;

·é preciso dosar o grau de aprofundamento do conteúdo de cada aula.
A partir daí, considerar que a complexidade das competências, dos
objetivos e dos conteúdos a serem alcançados e apreendidos pelos
alunos é que vai confirmar o número de aulas necessárias;

·os conteúdos de sua disciplina articulam-se entre si. Daí, quando você
for introduzir um determinado conteúdo, precisa verificar se os alunos
dominam os conhecimentos que são pré-requisitos necessários para
àquela nova aquisição; para cada conteúdo que você vai trabalhar em
sala de aula, é recomendável fazer uma introdução, um desenvolvimen-
to, uma sistematização e a sua aplicação concreta. Mas esses momen-
tos não são rígidos, assim como nada no processo de planejamento
pode ser."
4

Planificando a aula de língua estrangeira:
Retomando o último ponto da citação, lembremo-nos de que a aprendizagem não é linear, ou seja, é importante voltar a temas já estudados, revisá-los e aprofundizá-los.
O que pretendemos é um ensino cíclico onde conteúdos já vistos voltam a ser trabalhados em aula. Esta retomada de conteúdos não está prevista na planificação geral do curso pois deve ser algo dinâmico e que responda às necessidades específicas de cada turma. A docente, ao perceber que certo conteúdo é problema para a maioria da turma planifica alguma atividade extra a fim de trazê-lo naturalmente à tona para poder trabalhá-lo sem importar há quanto tempo tenha sido dado. Ao perceber dificuldades individuais também é importante dirigir alguma atividade extra-aula de acordo com a necessidade do aluno.
Dizemos que uma estrutura está fossilizada em um aluno quando este não conseguiu superar a etapa da interlíngua para esse conteúdo, daí a importância do ensino cíclico e da atenção individual da professora.
Quando um professor planifica a sua aula tem de levar em conta, além do conteúdo a ser abordado, a forma de transmiti-lo aos seus alunos. Muitas vezes a dificuldade durante uma atividade ou uma explicação não vem do conteúdo em si, mas sim da mensagem.
O material didático.
O material didático é um instrumento de apoio tanto para a professora como para o aluno. Qualquer recurso utilizado com o fim de promover a aprendizagem é material didático, inclusive o conhecimento da docente e o conhecimento prévio do aluno. O que estimula a aprendizagem é a sua variação, sua qualidade, seu dinamismo e, claro, o objetivo que encerra.
De nada adianta passar uma música divertida se não há uma proposta pedagógica por trás, mesmo que a proposta seja ouvir para aprender a cantar ou para reconhecer sons o objetivo deve ser estabelecido. Às vezes uma música complementa um texto. Varie os materiais didáticos, mas estabeleça objetivos.
Ao utilizar recursos de áudio ou vídeo, verifique a qualidade do som e da imagem com antecedência. Veja se aquela atividade é adequada a determinada turma, não todas seguem o mesmo ritmo, uma atividade de compreensão auditiva que serve de estímulo para um grupo que obtém bons resultados pode trazer um sentimento negativo para outro grupo menos avançado nessa habilidade, embora sejam do mesmo nível.
Seja flexível.
Leia mais sobre estes três conceitos:
Interlíngua - Fossilização - Ensino cíclico.

BIBLIOGRAFIA
1. SENAC, DN.O processo ensino-aprendizagem. / Beatriz Maria A. de A. Pinheiro; Maria Helena B. Gonçalves. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1997. pg.19

2. Idem pg. 36
3. Idem pg. 29
4. SENAC, DN Competências básicas / Maria Helena Barreto Gonçalves (Org); Anna Beatriz de Almeida Waehneldt. Rio de janeiro: Ed. Senac nacional, 2000. pg. 102

Outras leituras que influenciam estas reflexões:
BRUNER, Jerome. Teorias da aprendizagem; manual do usuário. S.1]: OEA, 1982
DIAZ BORDENAVE, Juan; PEREIRA, Adir M. Estratégias de ensino-aprendizagem. 9. Ed: Petrópolis; Vozes, 1986.
MASETTO, Marcos. Didática: a aula como centro. São Paulo: FTD, 1997.

 

 

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ART. 06
"PLANEJAMENTO DA AÇÃO DOCENTE"
Lic. Beatriz Olmos da Rocha – Brasil Club S.R.L.
Montevideu, Agosto 2007

Para começar
O ato de planejar é característico do ser humano. No cotidiano, sempre enfrentamos situações que necessitam de planejamento. Usamos processos racionais para alcançar aquilo que desejamos. No planejar, é fundamental saber o que queremos. É preciso saber claramente onde queremos chegar.
A fábula a seguir é ilustrativa.

 
Era uma vez um cavalo-marinho que juntou suas economias (7 moedas), e saiu em busca da fortuna. Ainda não havia andado muito quando encontrou uma enguia, que lhe disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho orgulhosamente.
- Você está com sorte! - disse a enguia. - Por quatro moedas pode adquirir essas velozes nadadeiras, e assim será capaz de chegar lá mais rápido!
- Oba, isto é ótimo! - disse o cavalo-marinho, e pagou o dinheiro, colocou as nadadeiras e saiu deslizando, numa velocidade duas vezes maior. Em seguida encontrou uma esponja, que lhe disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho.
- Você está com sorte! - disse a esponja. - Por uma pequena recompensa deixarei você ficar com esta tábua de propulsão a jato, para que possa viajar mais rápido.
Então o cavalo-marinho comprou a tábua com o restante de suas moedas, e foi zunindo pelo mar, com uma velocidade cinco vezes maior.
Logo, logo, encontrou um tubarão, que disse:
- Psiu... Eh! Amigo. Onde vai você?
- Estou indo procurar minha fortuna - respondeu o cavalo-marinho.
- Você está com sorte. Se tomar este atalho - e o tubarão apontou para sua bocarra - vai economizar muito tempo.
- Oba, obrigado - disse o cavalo-marinho, e saiu zunindo para dentro do tubarão, e nunca mais se ouviu falar nada dele.

(Mager, Robert. A Formulação de Objetivos de Ensino.Prefácio. Porto Alegre, Globo, 1983.
 
Não se vai longe desconhecendo o destino da jornada. Planejar é um processo que visa dar respostas a um problema ou desafio (obter o queremos, objetivos), estabelecendo os meios (estratégias, recursos) que apontem para sua superação.

Estabelecer os fins implica sempre em uma escolha.

Sem perder de vista essas perspectivas mais amplas, no ensino de uma língua estrangeira, os fins são mais específicos e situados. Os objetivos são definidos em termos das habilidades e competências que se quer alcançar ao longo do curso e as questões culturais que permeiam a aprendizagem do português.

O Conceito de Competência
Os profissionais de diversas áreas, não só os de língua estrangeira, trabalham com o conceito de competência. Mas o que é uma competência?


 
" O conceito de competência vem recebendo diferentes significados, às vezes contraditórios e nem sempre suficientemente claros para orientar a prática pedagógica das escolas. Para os efeitos desse Parecer, entende-se por competência profissional a capacidade de articular, mobilizar e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho.

O conhecimento é entendido como o que muitos denominam simplesmente saber. A habilidade refere-se ao saber fazer relacionado com a prática do trabalho, transcendendo a mera ação motora. O valor se expressa no saber ser, na atitude relacionada com o julgamento da pertinência da ação, com a qualidade do trabalho, a ética do comportamento, a convivência participativa e solidária e outros atributos humanos, tais como a iniciativa e a criatividade.

Pode-se dizer, portanto, que alguém tem competência profissional quando constitui, articula e mobiliza valores, conhecimentos e habilidades para a resolução de problemas não só rotineiros, mas também inusitados em seu campo de atuação profissional. Assim, age eficazmente diante do inesperado e do inhabitual, superando a experiência acumulada transformada em hábito e liberando o profissional para a criatividade e a atuação transformadora. "
(*)

* Cordão, Francisco A. (relator), Parecer CNE/CEB 16/99, Conselho Nacional da Educação, Câmara do Ensino Básico. Brasília, 5 de outubro de 1999.
"A competência não é conhecimento (...). A competência implica conhecimento. E, muito mais que isso, ela é o conhecimento que se mobiliza,que está disponível. Ela não é um conhecimento que está guardado e que não serve para nada; ela é um conhecimento disponível para tomar uma decisão, para intervir, para realizar alguma coisa: a famosa relação entre a teoria e prática.

Talvez o conceito de competência fique mais claro usando exemplos. Imaginem que vocês vão fazer uma operação de ponte de safena com um determinado cirurgião. Uma outra situação: imaginem uma viagem de avião. Qual é a primeira coisa que preocupa uma pessoa quando ela vai decidir qual é o médico que vai abrir seu coração? Ou como é o piloto que vai dirigir o avião que ela está voando? Será que esse médico sabe realmente abrir, mexer?

E o piloto, sabe realmente colocar esse gigante no chão sem grandes turbulências? Essa é a primeira coisa. Segunda coisa, será que se acontecer algo imprevisto ele sabe como fazer? Se o trem de pouso não baixar, ou se der uma taquicardia qualquer no paciente, se der uma hemorragia, será que ele tem experiência suficiente? Aí nós temos o conceito de competência: não só saber, mas saber na incerteza."
(**)
** (Idem)
 
Construindo Competências
· Para desenvolver competências é preciso, antes de tudo, trabalhar por resolução de problemas e por projetos, propor tarefas complexas e desafios que incitem os alunos a mobilizar seus conhecimentos, habilidades e valores.

·
O aluno que acumula saberes, passa nos exames, mas não consegue – necessariamente – usar o que aprendeu em situações reais.

·
A avaliação deve prever problemas complexos e resolução de tarefas contextualizadas.

Construindo competências na língua estrangeira
Na nossa prática docente cotidiana, a construção das competências dá-se de forma natural. As diversas estratégias de ensino e atividades lúdicas fazem com que o aluno se envolva no processo de aprendizagem. Poderíamos, isso sim, testar os limites de cada aluno por meio de desafios. O que seria isso? Pois, proporcionar materiais extra-apostila de acordo com o nível individual, propor pesquisas, incentivar apresentações orais para a turma, etc. Tirar esse aluno da postura do “ensine-me” e levá-lo a ser agente da construção do seu conhecimento.

Competências essenciais do Docente
· Organizar e dirigir situações de aprendizagem.
· Administrar a progressão da situação de aprendizagem.
· Administrar a heterogeneidade e a diversidade.
· Ampliar os espaços educativos para além da sala de aula.
· Trabalhar em equipe.
· Diversificar o uso de tecnologias para enriquecer a aprendizagem.
· Administrar a própria formação e o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Desafios à atuação docente
· Orientar e mediar o ensino para a aprendizagem da língua.
· Responsabilizar-se pelo sucesso da aprendiza- gem dos alunos (naquilo que realmente cabe ao docente).
· Assumir e saber lidar com a diversidade entre os alunos.
· Incentivar atividades de enriquecimento cultural.
· Desenvolver práticas investigativas.
· Utilizar novas metodologias, estratégias e materiais de apoio.
· Desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe.

Plano de trabalho dos docentes
· Definição de objetivos de ensino para obter resultados de aprendizagem.
· Definição inicial das situações de aprendizagem e da avaliação.
· Análise da coerência do plano de curso.
· Planejamento do ensino com base no cronograma.
· Priorização, complementação e detalhamento das competências previstas no plano de curso.
· Previsão das situações de aprendizagem.
· Cronograma de ações educativas.
· Infra-estrutura e recursos necessários.
· Verificação constante da progressão individual dos alunos.

CRONOGRAMA

 
"O grande mago propôs primeiro a seguinte questão: Qual é, de todas as coisas do mundo, a mais longa e a mais curta, a mais veloz e a mais lerda, a mais divisível e a mais extensa, a mais negligenciada e a mais irreparavelmente lamentada, que devora tudo o que é pequeno e que anima tudo o que é grande?

Cabia a Itobad responder. Respondeu que um homem como ele não entendia de enigmas e que lhe bastava haver vencido os adversários com as armas. Responderam alguns que a chave do enigma era a fortuna; outros, a terra; outros, a luz. Zadig declarou que era o tempo.

Nada é mais longo - acrescentou ele - já que ele é a medida da eternidade; nada é mais curto, sendo que falta a todos os nossos projetos; nada é mais lento para quem espera; nada mais veloz para quem usufrui a vida; estende-se, em grandeza, até o infinito; em pequenez, divide-se lhe lamentam a perda; nada se faz sem ele; faz esquecer tudo o que é indigno das gerações futuras, e imortaliza as grandes coisas.

A assembléia deu razão a Zadig."
(*)

* Voltaire, Zadig ou o Destino, in: Contos, São Paulo, Nova Cultural, 2002.
 



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