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"O que é o que é" Gonzaguinha |
Esta sección está destinada a que las docentes de Brasil Club vuelquen sus aportes teóricos y experiencias sobre el proceso de enseñanza de la lengua portuguesa para extranjeros. Invitamos a nuestros lectores a enviar sus artículos sobre el tema, los que con gusto difundiremos.
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Apresentação
Este material vem no sentido de dar continuidade à ampla discussão sobre nossa prática docente que vem sendo desenvolvida no Brasil Club S.R.L., pois é discutindo que crescemos e nos aperfeiçoamos na nossa tarefa dentro e fora da sala de aula.
Aperfeiçoar-se na prática docente é um processo contínuo que deverá ser prazeroso para aqueles que vêem na docência sua vocação.
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APRENDIZAGEM
"Aprendizagem é um processo interno que consiste em mudanças permanentes, que se integram ao comportamento do indivíduo, levando-o a agir diferentemente em situações novas posteriores". 1
Reflexões a partir desse conceito:
A aprendizagem é um processo que nos acompanha ao longo de nossa vida. Sistemática ou não, a aprendizagem se dá na rua, em casa, na escola; enfim, na vivência de cada um. A aprendizagem em sala de aula tem a característica de ser sistemática e orientada.
É um processo porque não se aprende no primeiro contato, individual e interno porque cada indivíduo cumpre suas etapas de assimilação em tempos diferentes aos dos outros. O aluno constrói o conhecimento a partir dos estímulos que recebe de fora.
Ao assimilar novos conhecimentos, comportamentos anteriores vão sendo substituídos por novas atitudes que refletem a evolução cognitiva daquele que aprende.
Aprendizado de língua estrangeira.
Objetivamente vemos que nosso hispanofalante, ao entrar em contato com o português, vai mudando seu comportamento tentando assimilar e utilizar as novas estruturas que vão sendo apresentadas.
O aluno aprende mediante sucessivas aproximações com a língua alvo, a partir dessas aproximações ele vai elaborando seu pensamento nos novos modelos. Podemos dizer que está havendo aprendizagem quando ele começa a manipular esses modelos e adequá-los a novas situações. Um aluno que se limita a responder com frases feitas ou a repetir aquilo que ouve não está aprendendo, pois nele não está havendo apropriação do conteúdo.
Como já definimos, a aprendizagem é um processo e dele faz parte uma etapa muito importante que é a interlíngua. Nessa etapa, o aluno constrói hipóteses para a língua alvo tomando como base sua língua materna, a interlíngua é uma tentativa de apropriação é, pois, racional e lógica e ao valorizar essas tentativas a docente valoriza todo o esforço que o aluno empregou para chegar a ela. Atenção, valorizar não pressupõe deixar de dar a estrutura correta.
No processo de aprendizagem, o aluno sai de sua língua materna, elabora uma interlíngua cada vez mais complexa até alcançar a apropriação da língua alvo.
ENSINO
Ensino e aprendizagem são dois processos diferentes que se complementam.
Ensinar supõe que a aprendizagem não se dará de forma casual ou pela prática exclusivamente.
Aquele que fica diante de uma turma monologando conteúdo está demonstrando todo seu conhecimento, mas não está ensinando.
"Ensinar é criar condições favoráveis para que haja aprendizagem”. 2
Esse conceito que parece tão simples engloba uma série de atitudes por parte de quem ensina a serem levadas em consideração.
A função do professor é organizar sistematicamente conteúdos, técnicas, abordagens, prática, além de propor atividades que funcionem como estímulos para os aprendizes. É problematizar e dar as ferramentas para que o aluno possa mover-se em diferentes situações da língua alvo.
"A condição de adulto também faz com que a aprendizagem desse tipo de aluno dependa do desenvolvimento de experiências próximas da realidade profissional. O adulto aprenderá mais facilmente se estiver envolvido em atividades dos seguintes tipos:
· dirigidas para suas expectativas
· centradas na ação (no fazer)
· dinâmicas e voltadas para a realidade do trabalho
· baseadas na cooperação e na autonomia (...)". 3
O ensino de uma língua estrangeira.
Por que o ensinar uma língua estrangeira é diferente a ensinar qualquer outra disciplina do nosso curriculum escolar?
Ter formação pedagógica em qualquer disciplina é importante no momento de dar aula de língua estrangeira, mas não é suficiente. Por quê?
Porque quando um professor está diante de uma turma para falar de matemática, de química ou história, por exemplo, pode estar abordando conceitos que o aluno desconhece, mas o está fazendo na mesma língua que esse aluno. Nessa situação, a dificuldade provém apenas dos novos conceitos, do objeto de estudo. Numa aula de língua estrangeira o meio de comunicação é o próprio objeto de estudo e aí reside a complexidade da didática específica para essa disciplina.
Quando um professor planifica a sua aula tem de levar em conta, além do conteúdo a ser abordado, a forma de transmiti-lo aos seus alunos. Muitas vezes a dificuldade durante uma atividade ou uma explicação não vem do conteúdo em si, mas sim da mensagem.
Em cursos como os que a nossa instituição promove, mais do que nunca a docente deve caracterizar-se por estas características:
· ser incentivadora e orientadora da aprendizagem;
· acompanhar as etapas de apropriação do conhecimento de cada
aluno (as turmas não são numerosas e o trato pode ser mais
próximo);
· promover atividades dinâmicas, de cooperação e que desenvolvam a
autonomia dos alunos em diferentes níveis de linguagem.
PLANIFICAÇÃO
Numa realidade onde encontramos o programa para nível pronto, onde o material didático traz teoria e exercícios além de contarmos com uma série de atividades extralivros indicadas na planificação de cada curso; muitas professoras podem sentir-se à vontade para dedicar um ínfimo tempo à planificação da sua aula.
Alguém diz que não precisa planificar a sua aula, pois a sabe de cor e a tem organizada na sua cabeça. Outras vezes ouvimos que a planificação cai por terra, pois sempre há situações novas na sala de aula que nos obrigam a replanificar tudo encima da hora.
Nada disso, contudo, tira o valor da planificação. A docente comprometida com o desempenho dos seus alunos planifica com base no conteúdo preestabelecido, mas também nos estímulos específicos de cada turma, suas dificuldades, expectativas, necessidades e preferências.
Planificando com antecedência ficamos mais livres e trabalhamos com mais segurança, pois sabemos qual caminho estamos percorrendo e aonde queremos chegar ao final do tempo da aula.
"Ao planejar as suas aulas, lembre-se:
· cada aula é o detalhamento de um plano maior, isto é, do plano geral da
disciplina, devendo manter coerência com as linhas gerais já traçadas;
· é preciso dosar o grau de aprofundamento do conteúdo de cada aula.
A partir daí, considerar que a complexidade das competências, dos
objetivos e dos conteúdos a serem alcançados e apreendidos pelos
alunos é que vai confirmar o número de aulas necessárias;
· os conteúdos de sua disciplina articulam-se entre si. Daí, quando você
for introduzir um determinado conteúdo, precisa verificar se os alunos
dominam os conhecimentos que são pré-requisitos necessários para
àquela nova aquisição; para cada conteúdo que você vai trabalhar em
sala de aula, é recomendável fazer uma introdução, um desenvolvimen-
to, uma sistematização e a sua aplicação concreta. Mas esses momen-
tos não são rígidos, assim como nada no processo de planejamento
pode ser." 4
Planificando a aula de língua estrangeira:
Retomando o último ponto da citação, lembremo-nos de que a aprendizagem não é linear, ou seja, é importante voltar a temas já estudados, revisá-los e aprofundizá-los.
O que pretendemos é um ensino cíclico onde conteúdos já vistos voltam a ser trabalhados em aula. Esta retomada de conteúdos não está prevista na planificação geral do curso pois deve ser algo dinâmico e que responda às necessidades específicas de cada turma. A docente, ao perceber que certo conteúdo é problema para a maioria da turma planifica alguma atividade extra a fim de trazê-lo naturalmente à tona para poder trabalhá-lo sem importar há quanto tempo tenha sido dado. Ao perceber dificuldades individuais também é importante dirigir alguma atividade extra-aula de acordo com a necessidade do aluno.
Dizemos que uma estrutura está fossilizada em um aluno quando este não conseguiu superar a etapa da interlíngua para esse conteúdo, daí a importância do ensino cíclico e da atenção individual da professora.
Quando um professor planifica a sua aula tem de levar em conta, além do conteúdo a ser abordado, a forma de transmiti-lo aos seus alunos. Muitas vezes a dificuldade durante uma atividade ou uma explicação não vem do conteúdo em si, mas sim da mensagem.
O material didático.
O material didático é um instrumento de apoio tanto para a professora como para o aluno. Qualquer recurso utilizado com o fim de promover a aprendizagem é material didático, inclusive o conhecimento da docente e o conhecimento prévio do aluno. O que estimula a aprendizagem é a sua variação, sua qualidade, seu dinamismo e, claro, o objetivo que encerra.
De nada adianta passar uma música divertida se não há uma proposta pedagógica por trás, mesmo que a proposta seja ouvir para aprender a cantar ou para reconhecer sons o objetivo deve ser estabelecido. Às vezes uma música complementa um texto. Varie os materiais didáticos, mas estabeleça objetivos.
Ao utilizar recursos de áudio ou vídeo, verifique a qualidade do som e da imagem com antecedência. Veja se aquela atividade é adequada a determinada turma, não todas seguem o mesmo ritmo, uma atividade de compreensão auditiva que serve de estímulo para um grupo que obtém bons resultados pode trazer um sentimento negativo para outro grupo menos avançado nessa habilidade, embora sejam do mesmo nível.
Seja flexível.
Leia mais sobre estes três conceitos:
Interlíngua - Fossilização - Ensino cíclico.
BIBLIOGRAFIA
1. SENAC, DN.O processo ensino-aprendizagem. / Beatriz Maria A. de A. Pinheiro; Maria Helena B. Gonçalves. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1997. pg.19
2. Idem pg. 36
3. Idem pg. 29
4. SENAC, DN Competências básicas / Maria Helena Barreto Gonçalves (Org); Anna Beatriz de Almeida Waehneldt. Rio de janeiro: Ed. Senac nacional, 2000. pg. 102
Outras leituras que influenciam estas reflexões:
BRUNER, Jerome. Teorias da aprendizagem; manual do usuário. S.1]: OEA, 1982
DIAZ BORDENAVE, Juan; PEREIRA, Adir M. Estratégias de ensino-aprendizagem. 9. Ed: Petrópolis; Vozes, 1986.
MASETTO, Marcos. Didática: a aula como centro. São Paulo: FTD, 1997.
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