Reflexiones
Pedagógicas
"O que é o que é" Gonzaguinha
Esta sección está destinada a que los docentes de Brasil Club vuelquen sus aportes teóricos y experiencias sobre el proceso de enseñanza de la lengua portuguesa para extranjeros. Invitamos a nuestros lectores a enviar sus artículos sobre el tema, los que con gusto difundiremos.

"NÃO SE COMPLIQUE COM A
REFORMA ORTOGRÁFICA"
Lic. Beatriz Olmos da Rocha
Assessora pedagógica Brasil Club S.R.L.

6 de Março de 2009

O BRASIL CLUB S.R.L. já adotou as novas regras estabelecidas pelo Acordo Ortográfico 1990.
Acreditamos que o mesmo fortalece a língua portuguesa no mundo e representatividade da CPLP (Comunidade dos Países da Língua Portuguesa).




 
GRAMÁTICA E FALA

O nosso ponto de partida é que a língua oral (a fala) é anterior à escrita e, portanto, às regras descritas na gramática normativa. Basta perceber que o ser humano, independente da sua língua materna ou região do planeta em que nasce, aprende a falar por volta do ano e meio de vida, aprende a escrever por volta dos seis anos e só vai aprender a descrever a sua língua em regras a partir dos sete ou oito anos.
É interessante notar que há pessoas que dizem não “saber” a sua língua materna, quando, na verdade, estão usando-a permanentemente. O que essas pessoas podem não saber são as regras e os nomes com que as estruturas são classificadas. Mas a língua ela sabe, tanto é assim que a usa na comunicação diária.
A linguagem oral transmitiu valores, receitas, sentimentos, histórias, ou seja, cultura, muito antes de existir a língua escrita.
Com isto, queremos ressaltar que a fala não está subordinada a regras gramaticais.
As regras gramaticais descrevem um modelo de língua considerado culto.
Quem estuda a língua portuguesa como língua estrangeira, necessita apoiar-se em regras que lhe descrevem a forma de falar. No entanto, conhecer essas regras não garante o aprendizado. Só se aprende na comunicação real: conversando com pessoas que estão num nível mais avanço de aquisição, lendo, ouvindo música (ou rádio, TV, filmes, etc.) e escrevendo.
Então, leia muito, assista filmes em português, ouça músicas e exercite a escrita!
Respeito à pronúncia
O português, assim como o espanhol, é uma língua que sempre privilegia a grafia o mais próximo da fala possível.
O Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa, pois, respeita as variantes existentes nos países que compõem a CPLP, por isso há casos em que a dupla grafia é aceita.

Claro que um falante não nativo verá a variedade ortográfica como um conjunto de regras aleatórias, mas essa impressão irá mudando a partir do momento em que começa a perceber as nuances da língua oral.
Para falar do pai do nosso pai, usamos a palavra avô, para falar da mãe no nosso pai usamos avó. Ora, escrevemos diferente porque falamos diferente! Não tem o mesmo sentido dizer chá do que .
Sim, há convenções de uso, por que crescer se escreve com sc e não com ss, ou c, ou .... Nunca escreveríamos com um só s ou z, porque não é esse o som da pronúncia. Na maioria das vezes essa escolha fundamenta-as na origem da palavra (CRESCERE – do latim) e hoje parece ser uma escolha aleatória, mas não é.
A eliminação do trema ( ¨) não afetará a pronuncia das palavras que antes o usavam. Linguiça e consequência, por exemplo, continuarão a ser pronunciadas como se o trema estivesse lá.
Atenção docentes! para o aluno, que não a língua assimilada naturalmente, tudo isso gerará grandes incertezas. Cabe a nós trabalhar com recursos auditivos variados e propiciar ferramentas variadas que facilitem a formação de parâmetros orais sem os quais não haverá assimilação da fala.

ORTOGRAFIA E PRONÚNCIA
Há casos em que, para respeitar a pronúncia, temos que fazer alterações ortográficas. Um exemplo: conjugamos o verbo Crescer no presente do Indicativo e temos: eu cresço (Ç?) sim, sç, porque senão... tente pronunciar: /cresco/ não é esta a pronuncia correta. A correta mantém o mesmo som do sc.
Isto não muda com o Acordo, mas é importante que o nosso aluno receba uma breve explicação, quando a solicitar, a respeito das escolhas ortográficas da língua.
K, W, Y.
Essas três letras voltam ao alfabeto da língua portuguesa. Uma decisão justa, já que as mesmas compõem muitos nomes próprios e são usadas em várias palavras e siglas.
No entanto, as formas aportuguesadas já consagradas continuarão a ser escritas como até agora. É o caso de Uruguai, que mantém o i no lugar do y.

A reforma na sala de aula
As regras estão nos manuais para serem estudadas. O aluno necessita do suporte do professor.
É importante que todos os alunos saibam que estamos em processo de reforma ortográfica, que só a partir de 2012 a grafia mais antiga vai caducar e que os principais meios de comunicação já adotaram as novas regras – por tanto o aluno vai se beneficiar se ler revistas e jornais como a Veja, Isto é, Folha de São Paulo, Zero Hora e muitos outros.
Nos cursos Médio e Superior, muito melhor do que apresentar regras frias é encontrar meios dinâmicos que requeiram observação e reflexão. Um exemplo de atividade é escolher dois textos, um retirado de uma revista anterior a 2009 e outra de uma revista atual e solicitar aos alunos que encontrem exemplos de mudanças.
Os alunos estão se preparando para usar a língua portuguesa nos mais variados ambientes. É uma preparação que aponta para o futuro, e o futuro tem nova ortografia.

Muita leitura, muitas audições e sucesso a todos ! ! !

 

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