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"O que é o que é" Gonzaguinha |
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Esta sección está destinada a que los docentes de Brasil Club vuelquen sus aportes teóricos y experiencias sobre el proceso de enseñanza de la lengua portuguesa para extranjeros. Invitamos a nuestros lectores a enviar sus artículos sobre el tema, los que con gusto difundiremos. |
O Português como língua estrangeira, até recentemente no Brasil, não se constituía como idioma de valor internacional, mas ao longo da última década, vem crescendo progressivamente a procura pelo ensino da língua para estrangeiros.
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Como se pode constatar na literatura especializada, o espanhol e o português são o par de línguas latinas mais próximas (Rodrigues, s/d). Em contrapartida, o que se tem observado em pesquisas como as de Carmolinga, Espiga, Rodrigues s/d, Boésio e Contreras, por exemplo, é que a semelhança entre as duas línguas ajuda no estágio inicial da aquisição, mas prejudica em níveis mais avançados, gerando a aquisição de uma Interlíngua e não a da língua espanhola. Para Selinker, a interlíngua constitui uma fase obrigatória na aprendizagem e se definiria como um sistema linguístico interiorizado diferente daquele da língua materna (LM) e daquele da língua estrangeira (LE). Dito sistema evolui e tornando-se cada vez mais complexo.
O uso inadequado dos falsos amigos, também conhecidos como falsos cognatos ou heterossemânticos, são exemplos bastante freqüentes de relatos de pessoas que acreditavam que se comunicariam usando o Portunhol. Como falsos amigos, entende-se palavras normalmente derivadas do latim, que têm, portanto, a mesma origem e aparecem em diferentes idiomas com ortografia semelhante ou idêntica, mas com significados diferentes e foi uma constatação dos estudos realizados pela Análise Contrastiva.
Resumidamente, conforme Santos Gargallo, a Análise Contrastiva possui como meta a construção de uma gramática contrastiva que hierarquize as correspondências dos diferentes níveis gramaticais, com a finalidade de graduar as dificuldades no aprendizado e as possibilidades de interferências.
A Análise Contrastiva está fundada no conceito de Interferência, ou seja, na tendência do aluno a substituir traços fonológicos, morfológicos, sintáticos da LE por traços da LM.
Nesse sentido, a facilidade/dificuldade em se aprender uma LE está diretamente relacionada ao grau de diferenças/semelhanças existentes entre sua estrutura com a estrutura da LM. Assim, as diferenças apontadas pela Análise Contrastiva referem-se aos pontos críticos no processo de aprendizagem.
Em relação à estrutura fonológica de uma língua, um falante de espanhol que está aprendendo o português, por exemplo, pode ter dificuldades de pronunciar as palavras /ka’fE/ (café) ou então /si’p/ (sipó), uma vez que o sistema fonético do espanhol não prevê vogais abertas. Dessa forma, os falantes nativos do espanhol pronunciaram as mesmas palavras da seguinte forma: /ka’fe/ e /si’po/.
Segundo críticas, a Análise Contrastiva passou por uma reformulação transformando-se em Análise de Erros (Versão Fraca). A Análise de Erros toma como base para análise um corpus de dados produzidos pelos aprendizes de uma determinada língua alvo. Essas produções podem ser constantes gravações de fitas e/ ou textos escritos pelos alunos. Com esse corpus, o professor é capaz de listar os erros passando a classificá-los de acordo com sua tipologia, estabelecer sua freqüência, suas prováveis causas, precisar o grau de distúrbio que os erros causam na veiculação da mensagem e fixar estratégias pedagógicas para superá-los.
Os erros são divididos em erros sistemáticos e erros não-sistemáticos. O erro sistemático reflete a competência de transição do aluno na LE, podendo ser devido à interferência ou ao domínio incompleto de estruturas menos gerais da LE. Já o erro não-sistemático é um erro casual, um esquecimento, que não se repetem sistematicamente na analise estatística.
Na Análise de Erros, os erros são interpretados e atribuídos a diferentes causas. Não são apenas interferências da LM sobre a LE. Eles podem ser devidos: a) à interferência da LM; b) a generalizações intralinguísticas ou generalizações de regras já dominadas e c) aos erros não-sistemáticos devido ao esquecimento. Ainda assim, os erros devem ser avaliados respeitando variáveis como a idade do aluno, tensão nervosa, metodologia de ensino, motivação e interesse.
Os dados obtidos com a Análise de Erros revelam uma divisão quantitativa de dificuldades. Neste caso, há uma grande preocupação na descrição dos traços gerais dos erros linguísticos produzidos pelos alunos, ampliando as causas dos erros que antes eram restritos a interferências da LM.
Basicamente, a diferença entre a Análise Contrastiva (Versão Forte) e a Análise de Erros (Versão Fraca) está nos pressupostos teóricos relacionados à estrutura linguística e explicações quanto à aquisição da linguagem.
Se o aluno tiver como língua materna o espanhol, encontrará dificuldades em:
a) pronúncia das vogais abertas e fechadas
b) ditongos nasais decrescentes/ão/mão/ escrevam
c) acento tônico
d) /lh/ - "folhas" por / fóias/
e) /u/ e /l/ - "normalmente"
No campo da semântica, independentemente da língua materna, os alunos, apresentam dificuldades com o significado das palavras, principalmente com as expressões idiomáticas e falsos cognatos, pois recorrem aos dicionários e nem sempre encontram o significado que se adapte ao contexto.
Na parte morfológica a dificuldade está na:
a) flexão de gênero e número (palavras heterogenéricas, pronomes
possessivos);
b) artigos; preposições; contrações (por/de/em/a) e combinações (em + este,
de + este , de + ela, etc.);
c) emprego dos comparativos e superlativos;
d) flexões verbais.
e) Na sintática os alunos apresentam dificuldades na estruturação da sentença, geralmente eles entendem o que os outros falam, porém não conseguem formular orações devido as dificuldades morfológicas que refletem no sintático como : concordância verbal e nominal. Difícil é o emprego dos tempos verbais no perfeito, no imperfeito e no futuro do subjuntivo e dos pronomes oblíquos.
 SUGESTÕES DE DINÂMICAS – Aplicação prática 
1) Entregar para cada equipe um conjunto de palavras, sendo que cada conjunto conterá palavras que deverão ser descartadas. Cada equipe deverá formar frases (o número e frases será estipulado pelo professor) coerentes com a concordância adequada.
As palavras descartadas serão colocadas a parte ficando a disposição para que, aquele grupo que detecte o erro possa utilizá-lo para a correção.
REGRAS do JOGO:
1) Cada grupo armará as frases e deverá colocá-las em um quadro magnético
ou outro tipo de material) no tempo estipulado.
2) Após ter colocado todas as frases correspondentes ao grupo os outros deverão
fazer as correções usando para isso as palavras descartadas.
3) Quem faz a correção ganha 1 ponto.
4) Por cada frase certa ganha-se 1 ponto.
5) Ganha o jogo quem obtiver o maior número e pontos.
CRONOGRAMA – Momento de Aplicação
Nível: Básico
Apostila 1 – Aula 6ª ou 7ª aula.
OBS: A dinâmica sugerida pode ser aplicada em qualquer momento do cronograma e adaptada para qualquer nível.
2) Dividir os alunos em duplas e entregar para cada uma fichas com fotos de revistas para que eles formem frases completas oralmente. Será avaliado o uso correto da concordância adequada (artigos, preposições, contrações, verbos).
OBS: Esta estratégia pode ser aplicada em todos os níveis como revisão.
Referências Bibliográficas: 
CUNHA, Maria Jandira & SANTOS, Percilia. Ensino e pesquisa em português para estrangeiros. Brasília: 1999.
FILHO, José Carlos P. De Almeida & LOMBELLO, Leonor C. Ensino de português para estrangeiros. São Paulo: Pontes, 1989.
______________. Identidades e caminhos no ensino de português para estrangeiros. São Paulo: Pontes, 1992.
ALMEIDA FILHO, J. C. P. (Org.).Português para Estrangeiros - interface com o espanhol. Campinas, Pontes Editores, 1995.
__________. & OEIRAS, J. Y. Y. & ROCHA, H. V. da Português na Internet: questões de planejamento e produção de materiais, 1998. Disponível em:
BRIONES, A. I. Dificultades de la traducción portugués-español vistas a través de la lingüística contrastiva. Actas del IX Congreso Brasileño de Profesores de Español, 59-68, 2000.
CAMORLINGA, R. A distância da proximidade - a dificuldade de aprender uma língua fácil. Intercambio Vol. VI (1997). São Paulo, 1997.
CONTRERAS, M. As armadilhas que podem ser oferecidas pela proximidade dos idiomas - A interlíngua oferecida como insumo nas aulas de Língua Espanhola como LE. 1998. Dissertação (Mestrado em Letras) - Curso de Pós-Graduação em Letras, Universidade Católica de Pelotas, Pelotas.
Pereira, Cristina Alves – Ensino da Língua Portuguesa para Estrangeiros
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